Curtailment na energia: entenda a norma e os impactos em usinas solares

O curtailment na energia é capaz de reduzir a geração de uma usina solar mesmo quando módulos, inversores e demais equipamentos estão disponíveis para produzir. 

Para gestores e investidores, entender a origem dessas perdas é importante para não confundir uma restrição determinada pelo sistema com uma falha interna ou de manutenção. 

Além do impacto sobre a geração e as receitas, o tema envolve regras regulatórias, acompanhamento operacional e análise de desempenho. 

Neste artigo, entenda como o curtailment funciona e seus efeitos sobre as usinas solares.

O que é curtailment na energia?

O curtailment na energia é a redução da geração que ocorreria em uma usina, mesmo com capacidade técnica para produzir mais eletricidade. 

No Brasil, o termo regulatório usado é constrained-off, associado a comandos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que limitam a produção de usinas eólicas e fotovoltaicas. A regulamentação organiza as restrições em três grupos:

  • indisponibilidade externa, relacionada a instalações de transmissão externas à usina;
  • confiabilidade elétrica, quando limites do sistema exigem contenção;
  • razão energética, quando não há possibilidade de alocar toda a geração disponível na carga.

Neste cenário, a Resolução Normativa ANEEL nº 1.030/2022 estabelece procedimentos para constrained-off. 

Já a REN nº 1.073/2023 ampliou esse tratamento para centrais fotovoltaicas, com regras específicas de apuração e pagamento em determinadas situações.

Por que o curtailment na energia ganhou peso no Brasil?

No Brasil, o curtailment ganhou peso porque o ONS aponta que, nas projeções de 2026 a 2029, as restrições permanecem associadas à elevada participação renovável. 

Aqui, o período entre 9h e 16h aparece como especialmente sensível pela combinação entre geração fotovoltaica, eólica e distribuída.

Como o curtailment na energia afeta uma usina solar?

O principal impacto do curtailment é a energia que deixa de ser produzida e comercializada durante o período de restrição.

Ou seja, o ativo continua instalado e disponível, porém parte da capacidade produtiva não se converte em geração naquele intervalo.

Para investidores e gestores, o efeito aparece em:

  • menor receita associada à energia não gerada;
  • alteração das projeções financeiras;
  • pressão sobre rentabilidade, fluxo de caixa e retorno do investimento.

E vale destacar que a consequência financeira depende da duração e frequência dos cortes, da classificação regulatória e do modelo de contratação. 

Por isso, avaliar a exposição ao curtailment exige relacionar dados operacionais com informações contratuais e regulatórias.

Curtailment na energia pode afetar a viabilidade de um projeto?

Sim, o curtailment na energia pode afetar a viabilidade econômica de um projeto solar quando a energia entregue fica abaixo das premissas utilizadas na modelagem financeira. 

Isso significa que uma usina projetada para determinada produção anual pode apresentar desempenho comercial diferente diante de restrições recorrentes.

Neste cenário, a análise deve considerar:

  • localização;
  • capacidade de conexão;
  • perfil de geração;
  • transmissão e expansão prevista do sistema;
  • acompanhamento de dados históricos e ferramentas prospectivas do ONS.

Como diferenciar curtailment de uma falha na usina?

A diferença está na origem da limitação:

  • a usina pode estar disponível para gerar, mas recebe uma restrição sistêmica ou externa dentro dos procedimentos de operação;
  • numa falha interna, a instalação apresenta uma condição que limita a sua produção.

Além disso, uma usina costuma ter módulos, inversores e cabos em condições adequadas e sofrer corte determinado pelo sistema. 

Em outro momento, uma falha em inversor, isolamento ou conexão é capaz de reduzir a geração.

Como o monitoramento e O&M ajudam diante do curtailment na energia?

O monitoramento permite separar perdas associadas ao curtailment na energia de perdas provocadas por condições internas. Essa informação apoia a gestão técnica.

Em uma usina solar, o acompanhamento deve combinar:

  • monitoramento de geração e disponibilidade;
  • inspeções elétricas e de termografia;
  • teste de curva I-V;
  • testes de isolação;
  • avaliação de módulos, strings, conexões e inversores.

Porém, destacamos que esses recursos não eliminam cortes determinados pelo ONS. 

O que eles fazem é ajudar na preservação da capacidade produtiva quando a geração está liberada e a identificar perdas internas.

Neste contexto, a Amperi oferece soluções para comissionamento, manutenção e diagnóstico fotovoltaico. 

Entre nossos recursos disponíveis estão:

  • traçador de curva I-V I-V600, para módulos e strings de até 1500 V e 40 A;
  • PV-ISOTEST, para testes de isolamento em sistemas fotovoltaicos ajuda a identificar falhas que comprometem a segurança e o desempenho da instalação.

Por que inspeções são importantes em usinas solares?

Porque inspeções periódicas ao longo da vida útil ajudam a verificar se o ativo mantém as condições elétricas e de desempenho esperadas quando está disponível para geração. 

Por exemplo, uma anomalia em conector, módulo, string ou equipamento pode representar perda adicional em períodos de alta disponibilidade solar.

Nós, da Amperi, disponibilizamos instrumentos para essas atividades e suporte técnico para profissionais de comissionamento, operação e manutenção de usinas solares.

Assim, você terá decisões apoiadas  por dados de campo para manutenção e acompanhamento de performance.

Como as empresas devem acompanhar o curtailment na energia?

Empresas que administram usinas solares precisam acompanhar eventos de restrição, geração disponível, perdas internas e efeitos financeiros. 

O ONS mantém dados públicos de constrained-off por usina fotovoltaica, o que permite acompanhar ocorrências e históricos sujeitos a atualizações.

Esse acompanhamento geralmente integra quatro frentes:

  • dados operacionais;
  • registros de manutenção e inspeção;
  • informações regulatórias e comerciais;
  • indicadores financeiros.

Com essa visão, gestores conseguem distinguir uma redução provocada pelo despacho do ONS de uma indisponibilidade causada por equipamento, manutenção ou condição interna. 

O curtailment tende a permanecer relevante com a expansão renovável.

No mais, monitoramento, O&M, inspeções e medições confiáveis ajudam a manter a geração disponível quando o sistema permite seu despacho.

Perguntas frequentes sobre curtailment

O que é curtailment ONS?

Curtailment ONS é a limitação da geração determinada no processo de operação do Sistema Interligado Nacional. A medida pode ocorrer quando existem restrições elétricas, indisponibilidades externas ou condições energéticas que impedem o aproveitamento integral da geração disponível.

O que significa “curtailment” em português?

Curtailment significa, em português, corte, redução ou limitação. No setor elétrico, o termo descreve a redução compulsória da geração de uma usina, mesmo quando existe capacidade disponível para produzir energia, devido às condições de operação do sistema elétrico.

Curtailment e constrained-off são a mesma coisa?

No contexto regulatório brasileiro, curtailment é usado como expressão geral para restrições de geração, enquanto constrained-off é a terminologia formal adotada pela regulação. O ONS e documentos setoriais utilizam ambos, conforme o contexto técnico e regulatório brasileiro, conforme o caso.

Quem determina os cortes de geração das usinas?

O ONS coordena e controla a operação do Sistema Interligado Nacional e pode determinar limitações de geração conforme as condições do sistema elétrico. A classificação do evento segue critérios regulatórios, considerando indisponibilidade externa, confiabilidade elétrica ou razão energética no despacho.

Toda energia cortada por curtailment gera ressarcimento?

Não necessariamente. O tratamento financeiro depende da classificação do evento e das regras aplicáveis. A regulamentação prevê mecanismos específicos para determinadas situações, especialmente eventos classificados como indisponibilidade externa, observados os critérios, limites, períodos e condições definidos pela ANEEL em situações.

 

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